Milton Ravagnani

Colunista

Milton Roberto da Silva Sá Ravagnani é jornalista , advogado, autor de livros sobre Direito e Filosofia e membro da Academia de Letras de Maringá,

Queda de árvores

Quedas de árvores têm muitos motivos. O desleixo administrativo, o maior deles

POR Milton Ravagnani EM 18 DE outubro DE 2023

O atento Téle Menechino foi buscar no pequeno expediente das últimas sessões da Câmara de Maringá o tema do momento: as quedas das árvores nas vias urbanas.

Se para o executivo o assunto se resume a mutirão para desobstruir vias, para o cidadão é a ameaça constante de uma tragédia anunciada.

Na entrevista concedida ao mesmo jornalista, neste Portfólio, o presidente da Câmara, Mário Hossokawa, já apontava a preocupação com uma fala bem funesta: vamos perder vidas com essas quedas.

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Porque o agravamento da questão parece tão óbvio que as previsões mais catastrofistas não são absurdas. E, sim, já passou da hora de se reformular a relação da cidade com sua arborização.

Claro que ainda prevalece entre os vereadores o discurso do corte e poda. Aquela história de que “faz quinze anos que aguardo o corte”. Ora, se em quinze anos a árvore não caiu, é porque não precisava de corte. Mas, fora o rame-rame de quem não quer varrer o quintal e impreca com as folhas que caem no outono, o problema é grave e tende a piorar.

Quem nos acompanha desde os tempos de O Diário lembra o quanto já tratamos desse tema. A ponto de já termos provocado a realização de um censo da arborização e o mapeamento dos motivos das quedas.

Sim, desmatamento, aquecimento global, destruição das reservas florestais, tudo isso e muito mais. Mas, há a nossa colaboração, também.

A começar pelo fato de não ter sido realizado até o momento o manejo das espécies escolhidas nos primórdios da cidade. Sibipirunas e tipuanas foram escolhidas naquele momento por terem crescimento rápido (rápido para uma árvore, lógico) e potencial para produzir sombra e umedecer o ambiente.

Mais de 50% das árvores plantadas nas vias maringaenses são dessas espécies. Que têm vida média curta: em torno de 50 anos. Que, aliás, já se passaram desde tal escolha.

E, entra prefeito, sai prefeito, o tal manejo não acontece. Manejo. Não é para ir tocando a motosserra a torto e a direito, dizimando o que hoje existe na espera de um reflorestamento que só estará maduro daqui mais cinquenta anos.

Mas, é preciso fazer. E o assunto fica emperrado sempre na inação do executivo. Não só desse governo, mas de todos que este sucedeu.

A percepção da população, mesmo, é que enquanto não morrer o filho de um bacana nada vai acontecer. Porque, infelizmente, é assim que as coisas são por aqui.

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